Condição

Estenose de Canal Lombar

A estenose de canal lombar é o estreitamento do canal por onde passam as raízes nervosas na coluna lombar. É a principal causa de dor nas pernas ao caminhar em pessoas acima dos 60 anos e uma das indicações mais comuns de cirurgia de coluna nessa faixa etária.

Endoscopia uniportal desde 2015

Minimamente invasiva desde 2012

Professor convidado — USP-RP

Autor na Coluna/Columna (2026)

O que é estenose de canal lombar

Com o passar dos anos, o disco perde altura, as facetas articulares se hipertrofiam e o ligamento amarelo espessa. Esses três fenômenos, somados, reduzem o espaço disponível dentro do canal vertebral. Quando a redução é suficiente para comprimir as raízes nervosas, aparecem os sintomas.

A estenose pode ser central (no canal), do recesso lateral ou foraminal (na saída da raiz). A localização define a estratégia cirúrgica.

O sintoma mais característico: claudicação neurogênica

A queixa típica é: dor, peso, queimação ou fraqueza nas pernas que aparece ao caminhar e melhora ao sentar ou ao inclinar o tronco para a frente. Muitos pacientes relatam que conseguem andar mais tempo empurrando um carrinho de supermercado ou subindo uma ladeira — porque essas posições fletem levemente a coluna e abrem o canal.

Outros sintomas comuns:

Como diferenciar da má circulação

A claudicação vascular também causa dor ao caminhar, mas melhora simplesmente ao parar em pé, sem necessidade de sentar ou fletir o tronco, e costuma vir com alteração de pulsos e temperatura dos pés. A distinção é clínica e, quando necessário, complementada por exames vasculares.

Diagnóstico

Exame neurológico, ressonância magnética da coluna lombar para avaliar o grau e o local do estreitamento, radiografias em ortostase e dinâmicas para investigar instabilidade associada, e tomografia quando é necessário detalhar o osso.

Quem assina este conteúdo

Dr. Daniel Callegari Pereira

Neurocirurgião · CRM-ES 8834 | RQE 7156

Graduado em Medicina pela UFES e especialista em Neurocirurgia pela UNESP. Membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Pós-graduado em Cirurgia Endoscópica da Coluna Vertebral pela USP de Ribeirão Preto, onde é professor convidado do curso.

2012

Início em cirurgia minimamente invasiva da coluna

2015

Início em endoscopia uniportal da coluna

2026

Autor na revista Coluna/Columna, com DOI registrado

Tratamento sem cirurgia

Quando operar

A cirurgia costuma ser indicada quando a distância de caminhada está significativamente limitada, quando há perda de qualidade de vida apesar do tratamento clínico, ou quando surgem déficits neurológicos.

Descompressão endoscópica

Em estenoses selecionadas, é possível realizar a descompressão por endoscopia uniportal, ampliando o canal e o recesso lateral com preservação da musculatura e das estruturas estabilizadoras. Isso é particularmente relevante em pacientes idosos e com comorbidades, nos quais reduzir sangramento e tempo de internação tem impacto direto na segurança.

Descompressão aberta e artrodese

Estenoses graves, multinível, com espondilolistese instável ou deformidade associada podem exigir descompressão mais ampla e artrodese. A escolha é feita caso a caso, com base nas imagens e no quadro clínico.

Resultados esperados

A descompressão costuma ser mais eficaz para a dor nas pernas e para a distância de caminhada do que para a dor lombar isolada. Essa expectativa precisa estar clara antes da cirurgia.

Veja em vídeo

Neste vídeo do meu canal técnico, mostro uma cirurgia endoscópica da coluna lombar para tratar a estenose degenerativa do canal em um paciente idoso. Na estenose, o desgaste diminui o espaço dos nervos e causa dor e cansaço nas pernas ao caminhar. Quando o tratamento clínico não resolve, a descompressão endoscópica pode ser uma opção em casos selecionados.

Vídeo do meu canal técnico no YouTube.

Outro exemplo: a descompressão endoscópica pela técnica “over the top”, que alivia os dois lados do canal por um acesso de um lado só, com monitorização dos nervos.

Vídeo do meu canal técnico no YouTube.

Perguntas frequentes

Tende a progredir lentamente, já que é um processo degenerativo. Nem todos, porém, evoluem para incapacidade.

Não por si só. O que pesa é o risco clínico global, e é justamente aí que técnicas minimamente invasivas ajudam.

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