Condição

Hérnia de Disco Lombar

A hérnia de disco lombar é a causa mais frequente de dor irradiada para a perna em adultos. A boa notícia é que a maioria dos casos melhora sem cirurgia. Esta página explica o que é, como se confirma o diagnóstico, quando o tratamento clínico basta e quando a cirurgia — hoje, frequentemente por…

Endoscopia uniportal desde 2015

Minimamente invasiva desde 2011

Professor convidado — USP-RP

Autor na Coluna/Columna (2026)

O que é a hérnia de disco lombar

Entre uma vértebra e outra existe um disco intervertebral, formado por um anel fibroso externo (ânulo) e um núcleo gelatinoso interno. Quando o anel se fissura, parte do núcleo se desloca e pode comprimir uma raiz nervosa. Essa protrusão do material discal é a hérnia.

Os níveis mais acometidos são L4-L5 e L5-S1, que concentram a maior parte da carga mecânica da coluna lombar.

Tipos de hérnia lombar

Protrusa

O disco abaula, mas o anel permanece íntegro;

Extrusa

O material atravessa o anel fibroso;

Sequestrada

Um fragmento se solta e migra dentro do canal;

Quanto à posição

Central, paracentral, foraminal e extraforaminal. A localização muda a via de acesso cirúrgica quando a cirurgia é necessária.

Sintomas

Sinais de alerta que exigem avaliação imediata

Perda de força progressiva, dificuldade para urinar ou reter urina e fezes, e dormência na região genital e interna das coxas podem indicar síndrome da cauda equina, que é uma urgência cirúrgica. Nesses casos, procure pronto atendimento.

Como se faz o diagnóstico

O diagnóstico é clínico e confirmado por imagem. O exame neurológico identifica qual raiz está comprometida por meio da distribuição da dor, da força, dos reflexos e da sensibilidade. A ressonância magnética é o exame de escolha. Radiografias dinâmicas ajudam quando há suspeita de instabilidade, e a eletroneuromiografia é útil em casos duvidosos.

Um ponto importante: achados de hérnia em exames de imagem são comuns em pessoas sem nenhum sintoma. O que se trata é o paciente, não a imagem.

Tratamento sem cirurgia

A maior parte das hérnias lombares melhora em semanas com tratamento conservador bem conduzido:

Quem assina este conteúdo

Dr. Daniel Callegari Pereira

Neurocirurgião · CRM-ES 8834 | RQE 7156

Graduado em Medicina pela UFES e especialista em Neurocirurgia pela UNESP. Membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Pós-graduado em Cirurgia Endoscópica da Coluna Vertebral pela USP de Ribeirão Preto, onde é professor convidado do curso.

2011

Início em cirurgia minimamente invasiva da coluna

2015

Início em endoscopia uniportal da coluna

2026

Autor na revista Coluna/Columna, com DOI registrado

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia entra em cena principalmente quando:

Opções cirúrgicas

Cirurgia endoscópica (uniportal): incisão de cerca de 8 mm, retirada do fragmento com visualização direta por câmera, preservação da musculatura, alta no mesmo dia ou em 24 horas na maioria dos casos. É a via preferencial em grande parte das hérnias lombares. Entenda a técnica em detalhe.

Microdiscectomia: padrão de referência consolidado, com incisão de 2 a 4 cm e uso de microscópio. Continua sendo excelente opção, especialmente em anatomias desfavoráveis à endoscopia.
Artrodese lombar: reservada para quando existe instabilidade associada, recidivas múltiplas com colapso do disco ou necessidade de ressecção óssea ampla. Saiba quando é necessária.

Recuperação

Após a discectomia endoscópica, a dor na perna costuma melhorar rapidamente. Caminhadas começam no mesmo dia. Atividades leves e trabalho administrativo retornam em geral entre 2 e 4 semanas, e o esforço físico maior é liberado progressivamente a partir de 8 a 12 semanas, com fisioterapia.

Perguntas frequentes

O fragmento herniado pode reabsorver espontaneamente e os sintomas podem desaparecer por completo. O disco, no entanto, permanece degenerado — por isso a reabilitação e os hábitos importam para evitar novos episódios.

É um risco raro. Os riscos mais frequentes são dormência transitória, recidiva da hérnia e, com menor frequência, abertura da dura-máter e infecção. Todos devem ser discutidos individualmente antes da decisão.

Sim, na grande maioria dos casos, com liberação progressiva e orientação de reabilitação.

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